março 21, 2013

Capítulo 7 - Clara



" Não deixe de acompanhar esta forte história da autora Méury Luiza, direto da Page Histórias Curtas, do Blog da Dona Cristiane Cardoso."

-      A oportunidade pode ir embora e vocês não terem outra.
André se segura para não dar gargalhadas na frente da senhora. Para brincar com a situação, desenha uma carinha sorridente com nariz parecido com o de palhaço em seu leite com café. Me entrega sua xícara e fica com a minha tornando a desenha-la, me olha e ri muito novamente. Fico quieta, não sei o que responder.
O café da manhã parece que não passa em minha garganta. Sinto uma grande angústia em minha alma.

15 de Outubro de 1988, 23h47

-      Um dia, o Homem de Branco enviou aquela senhora para falar dEle para você. Nós estávamos do seu lado fechando seus ouvidos para não entender o que ela falava.
-      Mas eu ouvi sim. Aceitei Jesus naquele dia…
(gargalhadas)
-      Não aceitou! Você voltou para sua vida e quis vivê-la. Fez todas as nossas vontades. Preferiu o mundo.
Todos aqueles dias passam em minha mente. Parece o tormento eterno. Lembro-me de cada momento. Cada palavra. Cada pessoa que vinha me falar que Deus me queria de volta. Tudo é nítido em minha mente, e o que eu estou vivendo agora é real.
A dor é real. O cheiro horrível é real. Os fortes gritos são reais.
Pessoas pedindo uma última chance estão por todo lado, mas não existe a última chance para aqueles que morreram sem aceitar Jesus como único Salvador…
Quanto desespero! Quanta dor! Não quero ficar aqui! Por que não dei ouvidos àquela senhora? Porque não dei ouvidos para a minha querida mãe?

29 de Julho de 1988, 21h20

É sexta-feira, dia de festa. Eu não estou muito bem. Há algumas semanas venho sentindo enjoos e dores de cabeça. Nem quando misturo todas as bebidas fico assim.
Não posso reclamar com o André. Ele é um tanto explosivo e se eu deixar de ir em alguma festa com ele, provavelmente ficará com outra menina. Não posso perdê-lo por nada do mundo.
Vamos com Caio, amigo nosso, para a balada. A música está alta e o funk é a grande sensação.
Bebo muito, como sempre. Danço a noite toda e beijo muito.
A maconha está presente. Eu curto!
Por um momento, me lembro de uma palavra que minha mãe fala.
Ela sempre diz que ninguém se prepara para morrer. Todo o mundo se prepara para tudo, menos para a morte.
Nem sei por que isso passa em minha mente. Eu não me preparo para morrer, porque estou preparada para viver e curtir tudo que posso.
Continuo no meio da pista com meu copo de uísque e meu cigarro.
Uma forte dor abdominal me domina.
Caio e sou pisoteada pelas pessoas que estão dançando ao meu lado e me machucam bastante.
André, de imediato, me pega no colo e me coloca sentada em uma das cadeiras perto do bar. Lá o som está mais baixo.
Percebo que estou sangrando. Peço para me levar para o hospital.
Caio me leva juntamente com Aninha e André.
No caminho, muitas coisas passam em minha mente. Será que eu vou morrer? Por que sangro tanto?
Faço, então, uma oração; muito envergonhada, mas faço.
Peço a Deus que se Ele me guardar, volto para os Seus caminhos… Desmaio.

Continua
Méury Luiza 
Confiando em Deus 

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