março 14, 2013

Capítulo 6 - Clara


15 de maio de 1988, 17h30


É domingo. O dia está simplesmente lindo. André e eu estamos namorando. Às vezes me pego pensando o que o deslumbrante André teria visto em mim. Ele é forte e sarado, eu magrela. Ele é moreno com olhos verdes, e eu totalmente branca.

 

O que importa não é o que viu em mim, e sim que ele está comigo.

Com isso, me tornei a garota mais badalada da escola. Minhas amizades já não eram mais aquelas de antes. Agora, todo o mundo quer ficar perto de mim, porque sou a “garota do André”.  Tenho até novas amigas. Tirei foto com elas hoje.

Isso é o máximo!

Quero cada vez mais. Mudei todo o meu guarda-roupa. Uso somente cores vibrantes. Minhas unhas estão sempre pintadas de preto.

Durante a semana, vou com uma amiga, a Andressa, colocar piercing. Estou me programando para uma festa, na sexta-feira, na casa do Pablo. Com certeza quero algo muito maneiro.

Coloco um piercing em tom laranja em meu umbigo, que fica muito lindo. Amo demais!

Tenho que tomar todos os cuidados e por isso uso sempre calças baixas e tops, pois não posso deixar nada tocar nele, já que pode causar infecção.

A essa altura, minha mãe nem me vê mais. Eu passo mais tempo na casa dos meus amigos do que propriamente na minha.

Eles são tão legais, que tudo que quero custeiam para mim. André me deu duas minissaias lindas: uma jeans e outra preta.

Depois da aventura com o novo piercing, vamos para um salão de beleza.

Pasmem, cortei meus longos cachos dourados. Deixo-os bem desfiados e pintados de azul.

Estou simplesmente linda. Todo mundo me acha o máximo do máximo. Minha popularidade aumentou ainda mais.

Roupas extremamente curtas e coloridas. Cabelos esvoaçantes e maquiagem forte.

No dia da festa, coloco um tomara-que-caia branco e a minissaia jeans com um sapato de salto laranja. Deslumbrante Clara… Esta sou eu.

Bebo, fumo… Bebo novamente e fumo mais ainda.

A música alta me convida a dançar sem parar. Todo tipo de bebida, à vontade, à disposição de quem quer.

Meu show então começa.

Subo em cima de uma mesa redonda e danço muito. Sempre amei a dança, era um dos meus amores.

Só me lembro disso… Depois acordo na cama do sótão. André está ao meu lado. O dia já raiou.

Acordamos juntos. Olhamos um para o outro e rimos muito.

-      Que noite boa, nunca dancei tanto…

-      Você animou a festa toda, Clara. Foi a sensação da casa.

-      Tenho fome, vamos tomar café em algum lugar.

-      Eu também estou. Aqui perto tem uma casa de chá muito legal. Vou te levar lá.

Andamos de mãos dadas até a casa de chá. Um ambiente muito calmo. Meus trajes não são dos melhores, afinal não troquei de roupa. Meus cabelos estão despenteados, por isso fiz um coque básico. Minha meia está desfiada, enfim, eu estou um horror (risos).

Peço café forte e pão. André pede vodca.

-      Meu filho, aqui não vendemos bebidas alcóolicas. – Diz a simpática senhora com avental branco. Ela lembra a minha mãe. Calma e serena. Já faz dias que eu não falo com ela.

-      Me dá o mesmo que a Clara, então. – Diz André rindo.

Enquanto o outro funcionário prepara o nosso pedido, pego uns jornais para ler. Há o anúncio de um retiro espiritual para jovens.

Lembro-me do último retiro que eu fui. Ainda era pequena, me diverti muito e aprendi que Deus é o único que pode nos dar alegria.

Uma dor entra no meu ser. Começo a pensar se sou feliz.

-      Aqui está o café da manhã de vocês. Vejo que está vendo o convite para o nosso retiro. Se quiserem, podem ir, tenho certeza de que irão gostar muito.

-      Senhora, retiro é coisa para gente tapada. Somos jovens e descolados. Queremos viver a vida enquanto temos forças, depois podemos pensar em aceitar esse Deus de vocês. Disse André, rindo da cara da senhora.



Continua
Confiando em Deus

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