março 01, 2013

Capítulo 4 -Clara


Não deixe de acompanhar essa FORTE história "Clara" da Dona Méuri Luiza, autora da Page Histórias Curtas do Blog da Dona Cristiane Cardoso...

"Chego em casa com os olhos vermelhos, vou direto para o quarto,  porque não quero que minha mãe perceba nada.  
Tomo um banho gelado, escondo meu vestido e vou dormir."

 
No dia seguinte, vou à igreja com ela. Novamente é dito pelo pastor que aquele que quer entregar a vida a Deus que vá até a frente do Altar e faça isso. Minha mãe diz que é bom eu ir.
Como sempre, faço a vontade dela, assim não fica me perturbando quando quero sair.
Fechei meus olhos e fico pensando em como iria achar uma maneira de sair com o garoto popular da escola.
- Ah, tenho uma ideia. Vou combinar com a Ana para ir à casa dela e lá eu saio com ele. Faço de conta que vou fazer um trabalho escolar. Eu sou muito esperta, engano quem eu quiser.
A oração acaba e eu nem percebo. Quando abro os olhos, as pessoas já estão se sentando. Mas o meu plano já está feito em minha mente.
O culto acaba. Ah, Graças a Deus, eu não aguento esse homem falando o tempo todo. Eu não entendo nada do que ele fala, e tem gente ainda que chora aqui. Pra que eu vou chorar, sou feliz como sou, não preciso de Deus para ser feliz, eu sou mais eu.

-*-
15 de Outubro de 1988, 23h46

Começo a sentir muitas dores em minha cabeça, acho que o calor é tanto que estou fritando o meu cérebro. Vejo vultos passarem por todo lado, não há lugar de paz, apenas de tormento.
Eu estou com muito, muito medo.
Eles passam por mim e zombam dizendo que eu nunca dei ouvidos à “Palavra do Homem de Branco”. O meu primeiro cigarro de maconha foram eles que me ofereceram e eu aceitei.
Eu sempre achei que foi o André que me deu, jamais imaginaria que era um enviado do inferno que estava usando o André para tirar a minha vida.
Vermes começam a subir em mim, quanto mais os tiro, mais eles vêm.
Um dos monstros horrorosos me jogam no chão e me mandam ajoelhar diante do trono do deus dele.
Realmente eu estou no inferno, e aqueles que me acompanham são demônios.
Não sei como sair daqui, não sei como cheguei aqui, sei que não quero mais ficar, estou com tanto medo, tanto medo…
O desespero começa a tomar conta de meu corpo. Ouço, vejo, sinto tudo como se estivesse viva. Tudo é muito nítido, muito real. Isso não é sonho… É real!
As dores, o cheiro insuportável, o fogo… O desespero… O desespero…

-*-

26 de fevereiro de 1988, 10h15  ( em casa)


- Mãe, não estou conseguindo entender essa matéria, minha amiga Ana vai me ensinar, posso ir à casa dela?
- Claro, querida, quer que eu te leve?
- Não mãe, não precisa, é aqui perto, vou lá e quando acabar volto direto para casa.
Como minha mãe é tola, coitada, acredita em tudo. É tão fácil enganá-la! O que eu não entendo é que sempre faz a mesma pergunta.
Chego à casa da Ana e logo me encontro com o garoto popular, o André. Fico com ele nessa tarde.
É a minha primeira vez. Está sendo maravilhoso! A gente fuma um baseado antes, um cigarrinho de maconha, e depois ficamos juntos.
Eu não quero nada sério com ele e nem ele comigo, a gente apenas está curtindo.

Continua
Meuri Luiza
Confiando em Deus

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